quarta-feira, dezembro 14, 2005

Cativo


Giovanni Segantini, Le cattive madri, 1894 Vienna Kunsthistorisches Museum


"És o prazer que me acompanha
N' ardor
Forte consolo espiritual
De intensidade galáctica
Para um mero espasmo com pulsação,
Qual trecho monossilábico,
Sem sentido, rima ou metria
Claustrofóbico
Nos golpes cortantes de uma poesia.

O teu coração tem um olhar nítido
Que me guia,
Mais do que o corpo,
A própria vida
Por entre infinitas rilheiras mais profundas
Do que a linha cronológica da eternidade...

Mostraste-me que era eu quem as cavava
Com todos os sentimentos de ódios inúteis, escavava
Mais fundo, até aos confins de uma personalidade oca,
Porém densa e dura

Saí do buraco e não tenho pressa
De cavar outro com o passo
Que tantas vezes me puxou para trás...
Olho para ti e sei que me amarás
Apesar do mal que te faço -
Perfeição não é coisa que se peça."