Inferno? Castigo?
Amos Nattini, Inferno, Canto III, 1919-30
Será que a vida, tal como a conhecemos, não passa de um recreio para os mais habilidosos e desonestos, enquanto os puros e justos têm de aguardar por algo melhor que suceda a este inferno?Olho em meu redor e sinto no corpo as vitórias dos "fracos" e matreiros, que dão a volta às situações de modo injusto para com quem segue as regras. Mas... que regras? Quem as impôs? Quem as impõe? Por quê obedecer-lhes? Sois forte por ser fraco e fraco por ser forte? Quem mo explica?
Apetece-me marchar sobre um manto de cadáveres, ainda morno. Sentir os pés besuntarem-se no sangue frio daqueles que fugiram a uma honestidade moral que nunca chegaram a conhecer. Uma marcha triunfal, a marcar uma vitória cujo simbolismo ultrapassa as barreiras do nosso limitado conhecimento, ou sentimento de nós.
Olho em meu redor e fico enojado pela escuridão que nos cerca e sufoca.
Cada dia é mais um dia... a menos.



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