Our secret place...

Todas as sextas-feiras, almas desejosas de estar em comunhão num local com que se identificassem juntavam-se numas salas forradas a xisto. Princípios de loucos fins-de-semana, recheados com doses brutais de álcool, embrenhado em todos os tipos de bebidas - tantas vezes criadas na ocasião. Outros, optavam por fumar a sua mistura ao relento, em cima de um sofá feito de bilhas de gás. Das antigas: sujas, imundas, perigosas... em tudo parecidas com o carácter de alguns que lá se chegaram a sentar.
O som das palavras gritadas madrugadas afora apenas era abafado pelas gargantas de madeira daquelas duas salas. Rudes golpes deci-bélicos provocavam cortes nos ouvidos masoquistas de tanto jovem... No entanto, o ritual repetia-se até à exaustão.
...
O tempo passa e a decadência dos fins-de-semana começa a deixar as suas marcas naquele oásis metálico. Nas pessoas - quais zombies sem qualquer noção do carácter completamente repetitivo daquelas noites sombrias -, no espaço - cada vez mais degradado e degradante -... tudo piora. Parece que só se sentia a gangrena na altura de amputar a perna.
O espaço fechava. A gerência abandonava a fonte dos seus rendimentos, que nunca deviam ser suficientemente recompensadores ao ponto de querer continuar a carregar tal fardo - que era uma missão. A missão de proporcionar noites inebriantes ao som de um qualquer metal brutal a uma data de gente de uma terra onde «não se passa nada».
Até reabrir, os clientes fazem o que os mortos-vivos fazem: vagueiam sem sentido, perdidos nas ruas e em cafés com demasiado bri(lh)o, ansiosos por algo que nunca os irá mudar ou tornar vivos.
Alguém decide »pegar naquilo». O ciclo recomeça. O ciclo recomeçou, ontem.
Resta-me desejar boa sorte ao corajoso Antero, um amigo de há muitos anos. Tem muitas ideias, muita vontade. Já deve estar farto de ouvir que «os primeiros meses começam sempre bem, depois é que vem o declínio».
O xtus está de volta... que volte também a mística que o torna especial.


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